| 007 — Ser Espírito-Biopsicossocial Educação para o Espírito Eterno Preconiza Paiva Netto: “Absolutamente não consideramos o Espírito como uma simples projeção do cérebro, o resultado de reações químicas do corpo humano: morto o corpo, o Espírito desaparece. Não! É o Espírito que faz com que o corpo funcione. É o Espírito que aciona o metabolismo humano, físico (...)”. Esta reflexão radiofônica de Paiva Netto, de 1991, nasce do esclarecimento do Evangelho de Jesus, segundo João, 4:24 — “Deus é Espírito; e importa que os Seus adoradores O adorem em Espírito e Verdade”. Inspira-se, ainda, na combinação do versículo acima com o conteúdo do primeiro capítulo, versículo 26 do Gênesis mosaico: “Também disse Deus: Façamos o Homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança (...). Espírito: energia inteligente No documento de abertura da primeira reunião plenária do Fórum Mundial Permanente Espírito e Ciência, da LBV, Paiva Netto fez as seguintes considerações: “Frei Betto, um dos maiores intelectuais deste País, em Mística e Espiritualidade (1994), tece esta consideração: `A Humanidade começa a entrar, do ponto de vista científico, numa nova visão da realidade, do que seja a matéria, do que sejam o macro e o micro. Ainda na mesma obra, o respeitado teólogo, professor e escritor Leonardo Boff comenta: `Como a Bíblia afirma: o Espírito se move em todas as coisas, em tudo penetra, recria a face da Terra. Espiritualidade é captar esse movimento do mundo, o seu dinamismo, a presença do Espírito nas coisas todas´.” Para avançarmos no estudo das características da Pedagogia do Cidadão Ecumênico, PCE, devemos traçar um diferencial entre instrução e Educação, pois para a PCE o que caracteriza o educar é a sublimação, pela Espiritualidade Divina, do cérebro e do sentimento. A este respeito, escreve seu propositor, Paiva Netto: “Educar o Ser Humano é colocá-lo na posição de equilíbrio. (...) A grande meta da Política de Deus é a reforma da criatura. (...) Daí a Cruzada de Reeducação Geral da Legião da Boa Vontade, porque não adianta dar somente instrução, quer dizer, o bê-á-bá, mesmo a Física mais alta, a Matemática mais elevada, a Química mais especializada, o estudo das línguas mais exalçado. Tudo isso é instrução. Pessoas muito instruídas arrastaram a Humanidade para situações difíceis. É preciso aliar, portanto, a instrução à Educação. Digamos que a instrução seja a inteligência do cérebro, e a educação, a inteligência do coração, da Alma, o sentimento bom. É preciso aliar a inteligência do cérebro à do coração e sublimar tudo isso com a Espiritualidade Ecumênica de Deus." Tais palavras de Paiva Netto evidenciam uma urgente capacidade a ser cultivada nas consciências, por ele mesmo definida: “Criar a acuidade espiritual necessária para perlustrar, num átimo, por força da Intuição instantânea destacada por Einstein (1879-1955), os caminhos livres que o cálculo humano a si mesmo não permite percorrer. Outro notável cientista que vem ao encontro da valorização do desenvolvimento da capacidade intuitiva do educando é o professor Mário Schenberg (1914-1990):, que afirmava: “(...) Eu creio que uma discussão lógica nunca é uma discussão realista. Pode-se aplicar a lógica em toda e qualquer questão, o difícil é ter o senso de realidade. Eu sempre acreditei na intuição. “(...) O grande matemático acerta muito mais por intuição do que por contas feitas (...)”. Somos seres espírito-biopsicossocial Costumamos afirmar que no conceito do Ser Espírito-biopsicossocial está a essência da Educação com Espiritualidade e, portanto, o diferencial da Pedagogia do Cidadão Ecumênico, pois efetiva a vivência e a inclusão espiritual na prática material. Dizemos, ainda, que a Pedagogia do Cidadão Ecumênico veio, de forma vanguardeira, revolucionar não só conceitos educacionais, mas, sobretudo, sociais, e explicamos porquê. A Pedagogia do Cidadão Ecumênico afirma que alunos, pais e educadores são Seres Espírito-biopsicossociais e que, por esta razão, educamos e reeducamos Espíritos e não apenas corpos que acabam ao término da existência física. À medida que alunos, pais e educadores conscientizam-se desta realidade, passam a enxergar-se de outra maneira, como iguais. E quando isso acontece, o convívio deixa de ser um espaço de disputa de poder entre o mais forte e o mais fraco, entre quem ensina e quem aprende, pois ambos descobrem que aprendem e ensinam ao mesmo tempo. Alunos e educadores, pais e filhos, chefes e subordinados adquirem maior consciência de seus papéis e passam a olhar-se com dignidade. O respeito passa a nortear suas ações. Com isso, cresce a sociedade que recebe os frutos desta educação diferenciada, que tem no Espírito eterno do Ser Humano a chave para a solução dos problemas que invadem as casas, os escritórios e as salas de aula do mundo todo e assustam a todos, indistintamente. Por isso, dizemos que a Pedagogia do Cidadão Ecumênico norteia muito mais que as ações pedagógicas de âmbito escolar, ela norteia o relacionamento humano e social. Ela propõe a educação e reeducação do Ser Humano Espírito-biopsicossocial, e tem suas bases no espiritual, no pedagógico, no científico, no filosófico, no político, enfim, no universal. Se focássemos a prática da Pedagogia do Cidadão Ecumênico no contexto pedagógico, aluno, família e educadores seriam vistos como co-autores da aprendizagem, dividindo entre si as responsabilidades e atuando de forma distinta em um processo conciliador: I. O ALUNO: Protagonista do processo de construção do conhecimento que tem, naqueles que o orientam e nos recursos disponíveis, os apoios necessários a seu aprimoramento pessoal. Necessita ter seus direitos assegurados, assim como precisa de direcionamento e limites para o cumprimento de seus deveres. Espera-se que, ao concluir o processo educacional, o jovem tenha atingido o perfil do Cidadão Ecumênico, ou seja, da pessoa que tem suas necessidades físicas, emocionais, intelectuais e espirituais atendidas satisfatoriamente; que contribua para o desenvolvimento solidário e da sociedade humana e que procura o auto-desenvolvimento, de forma continuada, por considerar-se um Espírito Eterno em evolução. Espera-se ainda que ele seja conhecedor dos diferentes saberes necessários, ecumenicamente conciliados, para sua inserção na vida social e no mundo do trabalho de forma criativa e competente, propiciando-lhe condições para uma vida significativa para si e para os demais. II. O EDUCADOR: Aquele que sugere, orienta, direciona e sistematiza o processo educacional, ensina e aprende, colocando-se como apoiador do aluno na busca pelo conhecimento. São reconhecidos como educadores na Pedagogia do Cidadão Ecumênico todos os profissionais que, de alguma maneira, se relacionam com os educandos e seus familiares, que também são considerados co-autores da gestão educacional. Para assegurar-se a aplicação coerente da Pedagogia do Cidadão Ecumênico, os educadores responsáveis pelo seu desenvolvimento precisam dispor-se a um processo continuado de desenvolvimento pessoal, de forma a incorporá-lo à sua vida, como cidadãos ecumênicos e profissionais responsáveis por um modelo diferenciado de educação, comprometendo-se com uma prática coerente, tendo por meta a excelência da ação pedagógica com a Espiritualidade Ecumênica. É fundamental ao educador que se propõe ao exercício da Educação com Espiritualidade Ecumênica ver seu aluno como um Espírito eterno em constante evolução, encorajando e aceitando a autonomia e iniciativa do aluno, bem como o desenvolvimento de seus pensamentos, intuições e conceitos, agindo também, da mesma forma, em relação à sua própria pessoa. Também faz-se necessário que o educador possa buscar, por meio da reflexão, o conhecimento interior sobre os melhores caminhos para a orientação dos educandos, atentando para o despertar e o desenvolvimento da intuição, respeitando o tempo de aprendizagem do aluno, nutrindo a sua curiosidade natural, por meio do uso freqüente do Método de Aprendizagem por Pesquisa Racional-Emocional-Intuitiva, o MAPREI. III. A FAMÍLIA: Colaboradora no processo constante de formação pessoal da criança e do jovem, participa das diversas formas de se adquirir saberes e vivenciar valores. Deve ser a grande apoiadora do desenvolvimento dos filhos, garantindo afeto e atenção suficientes para promover a auto-estima elevada nas crianças e jovens, fator fundamental para seu sucesso no processo de aprendizagem e da inserção social. O escritor Paiva Netto afirma que “a escola é imprescindível, mas não substitui o lar. O Estado e a sociedade têm de, unidos, gerir soluções para que as famílias criem e eduquem dignamente os seus filhos”. IV. A ESCOLA: Articuladora das ações de todos os agentes do processo educativo. A escola é a articuladora de todo o processo educacional, a quem cabe conciliar as necessidades dos educandos com as possibilidades reais da família e dos educadores. Cabe à escola também fortalecer os vínculos da família e do educador com o jovem e a criança, de forma a garantir que o aluno encontre em casa e na própria escola ambientes propícios ao seu desenvolvimento espiritual, físico e educacional. E conclui Paiva Netto, em uma entrevista que o escritor Alcione Giacomitti publicou em seu livro Os Pilares da Sabedoria de um Novo Mundo, pp.225 e 226: “(...) O Homem pode tentar, ainda que em vão, destruir as religiões na Terra; contudo, jamais conseguirá extinguir a religiosidade que nasce com ele, mesmo quando ateu. (...) Dia virá em que todos os Seres Humanos finalmente entenderão que o Pai Celestial, em Sua infinita sabedoria, deve ser buscado e vivido em todos os lugares, durante todos os segundos da existência.(...) A elevação espiritual, oriunda do nosso próprio esforço, deve preceder a promoção material. É esse um preceito da Democracia Divina, que não preconiza apenas a Instrução e a Educação para o Povo. Vai além: é necessário reeducar os educadores, com a Doutrina do Novo Mandamento de Jesus: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei (...)”. |